Carta à sociedade

Prezados/as cidadãos e cidadãs,
Gostaríamos de compartilhar com vocês os motivos cruciais pelos quais nós, trabalhadores técnico-administrativos da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), juntamente com os técnicos de várias outras universidades federais, decidimos iniciar um novo movimento de greve. É essencial que a sociedade compreenda que nossa mobilização atual é uma resposta direta à quebra de confiança e ao desrespeito do Governo Federal com a nossa categoria.
Em 2024, após um longo período de paralisação, suspendemos nossa greve sob a promessa de um acordo que reestruturaria nossa carreira e valorizaria o serviço público. No entanto, o governo descumpriu pontos fundamentais do que foi pactuado. Estamos em greve porque acordos feitos devem ser cumpridos, e a educação pública não pode ser gerida com promessas vazias.
Os principais eixos da nossa indignação atual são:
- Descumprimento do RSC (Reconhecimento de Saberes e Competências): O modelo que está sendo implementado não corresponde ao que foi acordado com os trabalhadores em 2024, desvirtuando um direito conquistado que visa valorizar a experiência e a formação dos servidores.
- A Pauta das 30 Horas: A regulamentação da jornada de trabalho de 30 horas para setores específicos, um ponto histórico e essencial para a saúde do trabalhador e eficiência do serviço, foi ignorada e não contemplada conforme o esperado.
- Reposicionamento dos Aposentados: Aqueles que dedicaram uma vida inteira à UFOP foram esquecidos. O governo não cumpriu o compromisso de reposicioná-los corretamente na carreira, cometendo uma injustiça com quem construiu a base da nossa universidade.
- Defasagem Salarial e de Carreira: Continuamos enfrentando as consequências de anos de congelamento. A estrutura da nossa carreira ainda carece da atratividade necessária para reter talentos, já que a atual estrutura contribui com a aumento da evasão de profissionais qualificados para outros setores.
A UFOP, presente em Ouro Preto, Mariana e João Monlevade, enfrenta um cenário de asfixia orçamentária que compromete o funcionamento básico dos campi. A falta de investimento não afeta apenas os servidores, mas prejudica diretamente os estudantes e o desenvolvimento científico e tecnológico da nossa região.
É importante destacar que nossa luta não é apenas por salários, mas pela dignidade do trabalho na educação federal. Lutamos contra a inércia governamental e contra medidas que ainda restringem o direito de mobilização dos servidores.
Ao apoiar nossa greve, você está defendendo a universidade pública. Pedimos a compreensão de toda a comunidade acadêmica e da sociedade civil. Não podemos aceitar que acordos assinados sejam ignorados, pois isso fere a própria democracia e o respeito às instituições.
É hora de mostrar ao governo que exigimos o cumprimento integral do que foi firmado. Juntos, somos a resistência em defesa de uma educação pública de qualidade, gratuita e socialmente referenciada.
Contamos com o seu apoio.
Atenciosamente,
Trabalhadores Técnico-Administrativos da UFOP – ASSUFOP
